SP 464 anos – ONGs que você pode ajudar para deixar a cidade melhor vol. 1

E lá se vão 464 anos! São Paulo sopra velinhas de novo nesse dia 25 de janeiro. Não sabemos ainda se vai ter bolo, mas fica mesmo assim. O tradicional bolo de aniversário da cidade de metros e metros de comprimento começou em 1986 no Bixiga. Nos anos 2000 ele ficou mundialmente famoso pela barbárie que virou a disputa por um pedaço. Gente se degladiando por um espaço à mesa, galera enchendo sacos de supermercado para levar para casa, e nota zero em civilidade. A bagunça era tanta que a festa acabou, e hoje acontece apenas uma calma distribuição de pedaços de bolo industrializado, feita por voluntários do bairro. O bolo é uma alegoria muito precisa de São Paulo. A maior cidade do país é assim: grande, farta, cheia de oportunidades. Parece que tem suficiente para todo mundo. Só que ao redor do bolo estão os paulistanos ávidos, sangue nos olhos, querendo mais e mais, e dane-se a coletividade. A amada (e odiada) selva de pedra é tão intensa que nublamos nosso senso de coletividade em benefício de uma suposta sobrevivência, que requer muito mais que o necessário. Viver em São Paulo é uma tarefa difícil.

A sorte é que, como o bolo, nos últimos tempos muita gente acordou e percebeu que não dá para continuar assim. A última década foi marcada por ações coletivas e individuais que disseram chega para esse individualismo. Que viram que a coexistência é muito melhor – e mais leve – que a sobrevivência. Essas pessoas e entidades acabaram com a farra do bolo, e agora contam com a ajuda dos próximos para fazer a cidade ficar mais humana, democrática, acessível. Seja ajudando os necessitados, as crianças ou os animais, seja pensando o espaço coletivo, a ecologia ou a educação. Apesar da brutalidade do nosso dia-a-dia, o que não falta é gente bem intencionada, que põe a mão na massa para ajudar todo mundo.

Nesse aniversário de São Paulo, nós podíamos fazer mil roteiros de festas, shows, e outros programas para você se divertir. A Pauliceia tem esse lado também, vivo e alegre. Mas resolvemos aproveitar a comemoração para trazer também uma lista de ONGs e entidades que fazem trabalho voluntário por uma cidade melhor. Queremos que você se jogue, e aproveite cada minuto dessa festa do dia 25! Mas que nos outros 364 dias do ano, você pense que pode também fazer parte do time que ajuda, com trabalho ou com doações. Essa série de posts vai trazer 10 áreas que ainda precisamos trabalhar muito para a festa ficar completa. Então basta escolher a que mais gosta e participar. Qualquer ajuda conta!

Parabéns, São Paulo!

1- Crianças e Jovens

Instituto C

Fundado em 2011, o Instituto C atua com famílias que tem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Eles desenvolvem três tipos de projetos com objetivos, público-alvo e atividades diferentes, com a finalidade de empoderar as famílias para que elas possam oferecer um ambiente propício para o desenvolvimento do potencial de seus filhos. Os projetos são: PAF – Plano de Ação Familiar (atendimento de famílias que enfrentam doenças graves ou crônicas), Primeira Infância (de famílias com crianças de 0 a 6 anos), e Educação em Rede (de famílias que enfrentam queixas escolares de seus filhos). O foco do Instituto C é não só na criança, mas em todo núcleo familiar. Eles também desenvolvem o projeto Atelier C, que trabalha com mulheres que tiveram que largar seus empregos por conta de filhos doentes, mas que tem alguma capacitação como costura, pintura, etc. Essas mulheres são estimuladas a produzir suas manufaturas, que são vendidas através do instagram, do whatsapp e de bazares da cidade, como complemento de renda.

Como ajudar: Quem quiser ajudar, pode se voluntariar através do email ou pelo telefone (11) 3459-1885. Eles promovem reuniões mensais para conversar com interessados em participar.

Como doar: Você pode fazer uma doação pontual ou recorrente via PayPal no site, pode doar a restituição do imposto de renda ou notas fiscais paulistas, ou ainda fazer doações de leite em pó, leite integral, formula infantil e fraldas, diretamente na sede do Instituto C, na Vila Buarque.

Outras entidades que cuidam de crianças e jovens

Sonhar Acordado: Organização que se formou no México em 1998, se expandiu para 17 países, e hoje está presente em 10 estados brasileiros. Desenvolvem projetos diversos focados em crianças saudáveis e doentes, e adolescentes em situação de vulnerabilidade social para se prepararem para o futuro através do aprendizado de valores como caridade, esperança e dignidade, e construção de identidade.

Ponto de Cultura Casa dos Meninos: Associação cultural fundada em 1962 que atua no Jardim São Luis, na Zona Sul de São Paulo. Eles fazem uso de novas tecnologias e o estudo do território para a construção de um espaço autônomo, que desenvolva ações que caminhem na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

ASA – Associação Santo Agostinho: Organização da sociedade civil que ajuda não só crianças e jovens, mas também idosos. Eles mantém5 Centros de Educação Infantil voltados a crianças de 0 a 4 anos; 5 Centros para Crianças e Adolescentes de 6 a 15 anos e um Centro Dia para Idosos.

Associação Beneficente Grupo Sol: Atuam mensalmente, promovendo visitas e mobilização de voluntários para levar carinho, atenção e alegria a abrigos infantis, hospitais e asilos. Também promovem doações de gêneros de primeira necessidade para quem precisa.

Casa Taiguara: Casa de acolhimento de crianças e jovens em situação de rua, oferecendo abrigo e promovendo a cidadania através de estratégias educativas, culturais, artísticas e de geração de renda. Aceitam além de voluntários e doações de dinheiro e roupas, doações de móveis para suas 3 casas.

AACC – Associação de Apoio a Crianças com Câncer: Desde 1985, eles oferecem apoio psicossocial e existencial a crianças e jovens com câncer e suas famílias. Dá para ajudar com voluntariado, doações, nota fiscal paulista, bazar e outros.

Acredite: ONG que cuida dos aspectos sociais de crianças, jovens e suas famílias, apoiando-os com as consequências da doença reumática. Aceitam doações em dinheiro, e de medicamentos e protetor solar.

Lista de orfanatos e abrigos de São Paulo por bairro

2- Mulheres

Artemis

A Artemis surgiu em 2013 e seu foco é promover a autonomia feminina e a prevenção e erradicação da violência contra as mulheres. Eles trabalham em 4 frentes: Pesquisa e políticas públicas, onde há o trabalho de fundamentação científica para fundamentar as ações da ONG; Defesa de direitos; Engajamento e formação de ativistas; e por último, mudanças sociais, onde acontece a formatação, venda e execução de projetos e ações assistenciais. No ano passado, a organização abriu um centro cultural para ser um espaço de encontro de mulheres e oferecer atendimento às demandas em tempo integral. Ali, eles dão cursos de capacitação jurídica para o enfrentamento de violência doméstica e obstetrícia, comunicação para o ativismo e feminismo. Além disso, o lugar tem uma programação intensiva, que inclui cinema, curso de capacitação e grupos de apoio.

artemis ongs em São Paulo
Encontro no Centro Cultural Artemis – foto: divulgação

Como ajudar: A melhor forma de ajudar é participando dos eventos da organização, todo o dinheiro da venda de ingressos é revertido para a ong. Uma outra forma de ajudar é comprando na lojinha do site.

Como doar: A Artemis aceita doações recorrentes, que vão de 10 a mil reais ou doação única. Para escolher, é só acessar o site.

Outras entidades que apoiam as mulheres

Think Olga: A Olga é uma das organizações mais importantes de direito da mulher e suas campanhas, como #Chegadefiufiu ou #PrimeiroAssédio ganham notoriedade em todo o país. O objetivo é criar conteúdo de forma a empoderar mulheres, ampliar seu leque de escolhas e garantir que suas escolhas sejam feita de maneira informada e consentida.

Associação Paulista de Amparo a Mulher: A APAM foi fundada em 1953 e eles prestam atendimento, acompanhamento, orientação, encaminhamento, convívio e participação social de mulheres – e respectivas famílias – em situação de vulnerabilidade social.

3- LGBTs

Casa 1

A Casa 1 é um centro de acolhimento de LGBTs expulsos de casa devido suas orientações sexuais e identidades de gênero, criada e comandada pelo Iran Giusti em meados de 2016. A Casa 1 não é uma ONG, mas sim um espaço que funciona através de doações de pessoas comuns, empresas e trabalho voluntário. Além do acolhimento, a Casa 1 conta também com um Centro Cultural que tem uma vasta programação gratuita com cursos de formação, teatro, oficinas, exposições, debates, palestras. A Casa 1 acolhe 20 pessoas por vez, que ao serem acolhidas, recebem atendimento psicológico, advocatício e até mesmo consultas médicas, tudo feito por profissionais voluntários. Atualmente eles possuem 200 alunos em cursos e atividades, oferecem 12 horas de programação diariamente e, também, fazem cerca de 900 atendimentos mensais para a população carente e de rua.

casa 1, ong
Dia de bazar na Casa 1 – foto: divulgação

Como ajudar: A Casa 1 aceita voluntários das mais diversas áreas. Para fazer contato, basta preencher o formulário aqui. Para professores de Inglês e Espanhol que desejam dar aulas, o formulário está neste link. Também foi criado o grupo Fortalece LGBT para comprar, contratar ou divulgar trabalhos de pessoas LGBTs.

Como doar: É possível fazer doação financeira mensal através do Benfeitoria ou mesmo depósito bancário pontual: Banco Itaú, Ag. 0251, CC 13581-0 – CNPJ: 29150382/0001-11 – Centro de Acolhida e Cultura LGBT Casa 1. A Casa 1 tam

Outros entidades que apoiam a comunidade LGBT

Mães pela Diversidade: É um coletivo nacional composto por mães e pais de pessoas LGBT que surgiu inicialmente em São Paulo nas mãos de Maju Giorgi, mas hoje está presente em 14 estados brasileiros. A atuação é bem forte na internet e em grupos de militância apoiando mães e pais que descobrem filhos homossexuais ou transexuais. O grupo participa fortemente das paradas LGBTs, luta contra o preconceito e homo/transfobia.

Florescer: Central de Acolhida especial para mulheres transexuais e travestis. O centro foi aberto pela Prefeitura de São Paulo no início de 2016 e é comandada pelo Alberto Silva. Atualmente acolhe 30 pessoas com idades de 18 a 64 anos dando atendimento social, psicológico (saúde, educação, vínculos familiares, reinserção no mercado de trabalho). Muitas das moradoras foram recolhidas da rua. Fica na Rua Prates, 1101, Centro.

Centro de Cidadania LGBT Luana Barbosa dos Reis: O Centro de Cidadania é um espaço dedicado à população LGBT em situação de vulnerabilidade social e vítimas de violência física e psicológica devido sua orientação sexual ou identidade de gênero. O Centro oferece atendimento psicológico, assessoria jurídica, assistência social e acesso às políticas públicas da Prefeitura de São Paulo. Além do espaço físico, uma Unidade Móvel percorre a região com atividades educativas e culturais. Fica na Rua Plínio Pasqui, 186, Parque Dom Pedro.

Centro de Referência e Defesa da DiversidadeO CRD é um espaço de desenvolvimento social que oferece acolhida, com atendimento especializado a travestis, transexuais, profissionais do sexo, pessoas com HIV, gays e lésbiscas que estejam em situação de vulnerabilidade e risco social. Oferecem atendimento psicossocial, que envolve acolhimento e encaminhamento para rede socioassistencial (auxílio moradia, bolsa família, albergues, auxílio viagem, alimentação), aconselhamento nas áreas de saúde e jurídico; oficinas profissionalizantes, espaço de convivência e balcão solidário com oportunidades de emprego.

Não deixe de ver o vol. 2 falando de pessoas em situação de rua, educação e animais, e o volume 3 falando de sustentabilidade, saúde e alimentação, refugiados e espaços públicos.

*Foto do destaque: Kaique Rocha @ Pexels

Renato Salles

Paulistano da gema e da clara, conhece o mapa de São Paulo melhor que muito taxista (mas foge do trânsito como da cruz!)

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