A poesia arquitetônica de Sou Fujimoto na Japan House

‘A arquitetura está em todos os lugares.’ Essa frase abre a primeira parte da exposição ‘Sou Fujimoto: Futuros do Futuro‘, em cartaz atualmente na Japan House. É a segunda exposição em seguida que a instituição traz para o Brasil. A máxima, cunhada pelo próprio arquiteto japonês, é uma das inúmeras pílulas de poesia com que ele propõe ao explorar todo seu potencial criativo em projeto. Nesse primeiro andar, Fujimoto usa minúsculas escalas humanas para experimentar possibilidades arquitetônicas nos objetos mais triviais: parafusos, esponjas, caixas de fósforo, pedaços de plástico, plantas, balas, chips de computador e chips de batata. As peças são distribuídas em pedestais soltos, e o visitante é convidado a flanar e descobrir uma ordem própria na construção do pensamento. Em todo momento, ele não diz o que pensa, mas sugere uma reflexão: ‘Fechado e aberto; separado e conectado; luz e sombra; tudo oscila.’
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No segundo andar, a poesia arquitetônica de Sou Fujimoto ganha corpo, e ele começa a delinear respostas para suas reflexões. Aqui, maquetes em vários estágios de evolução se misturam. Esquemas tridimensionais complexos dividem espaço com elaboradas miniaturas de obras reais, como a contundente Biblioteca da Universidade das Artes de Musashino, ou o emaranhado Beton Hala Waterfront Center em Belgrado (na foto de destaque do post). Em todos os modelos, o que se pode ver é que, para o arquiteto, o projeto revela muito mais do que paredes e espaços. A arquitetura oferece múltiplas possibilidades latentes, que até serem materializadas passam despercebidas pela sociedade.
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Sou Fujimoto tem seu escritório no Japão desde 2000. Mas foi com a construção da Serpentine Gallery em Londres em 2013 que o catapultou para uma carreira global. Mas diferente de seus colegas cheios de projetos megalomaníacos, a obra de Fujimoto segue harmônica, equilibrada, verdadeiramente poética. Seus trabalhos são sinfonias de contrastes, contrapondo o espaço construído com a natureza, as sombras e a transparência, a rigidez geométrica com a fluidez do traço orgânico.
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A exposição termina com uma sequência de painéis com poucas fotos de obras construídas ou ainda por vir, onde Fujimoto explica com suas palavras delicadas os partidos adotados. Nada de detalhes construtivos e tecnologias arrojadas. A seus olhos, o que dá vida ao seu trabalhos são as infinitas experiências que os usuários podem ter ali. Como ele mesmo diz, ‘criar arquitetura é como plantar as sementes do futuro’.
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Sou Fujimoto: Futuros do Futuro
Japan House – Av. Paulista, 52 – Paraíso
Até 4 de fevereiro
De terça a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada Gratuita
*Todas as fotos – Renato Salles
 

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