Chefs Especiais Café, o primeiro café inclusivo do Brasil

O cardápio na lousa tem só quatro opções para escolher: respeito, oportunidade, amor e inclusão. O preço é sempre o mesmo, corações. Nesse novo café inaugurado em plena Rua Augusta, o que importa é a inclusão. Por isso, o Chefs Especiais Café, que abriu há menos de um mês, dá o exemplo na equipe. Os atendentes todos são portadores de Síndrome de Down.
O Instituto Chefs Especiais é uma ONG que sempre trabalhou na qualificação profissional de pessoas com Down na área gastronômica, para provê-los com autonomia e oportunidades. A nova empreitada deles é justamente ter um lugar onde toda a experiência é colocada em prática na vida real. Então o começo ainda é modesto, mas com o tempo as coisas vão se ajustando e a iniciativa vai crescer. O cardápio é bem simples, com cafés, bolos, salgados, tortas e quiches compradas de parceiros. Mas em breve as comidinhas serão todas produzidas dentro da instituição, pelas pessoas que trabalham na cozinha.

O balcão de atendimento do Chefs Especiais Café - foto: Renato Salles
O balcão de atendimento do Chefs Especiais Café – foto: Renato Salles

No balcão de atendimento, chamam a atenção a dedicação e a felicidade dos atendentes. Quando estivemos lá, o Rodrigo e o Murilo corriam para cima e para baixo com uma dedicação de dar inveja. Eles trabalham na instituição a mais tempo, e por isso foram chamados para trabalhar lá desde o início. Depois vão vir outros, ainda em formação, como um grande estágio, antes de irem trabalhar em outros estabelecimentos. No caixa, um tutor ainda segura as pontas, mas logo a equipe não terá apoio de ninguém de fora.
O café conta com vários parceiros. O espaço foi cedido na entrada do restaurante Como Assim? Inclusive, Tedd Albuquerque, vai deixar de servir café e sobremesa na sua cozinha para integrar ainda mais o café. Outra parceria importante foi do motoclube In’Omertá, que forneceu o uniforme dos meninos. Eles trabalham de colete de couro e bandana na cabeça, como verdadeiros motociclistas. Segundo a Simone, diretora da ONG, o visual do café serve para tirar aquela cara de coitadinhos para os trabalhadores, e dar um ar de independentes e durões. ‘São os meus bad boys‘, ela disse. Mas isso não quer dizer que o café é assistencalista. Apesar se ser uma de uma ONG, o café é também um negócio, que visa o lucro como forma de recompensar os funcionários com salários dignos e ajudá-los a prosperar.
Rodrigo, Simone e Murilo, um timaço à frente do Café - foto: Renato Salles
Rodrigo, Simone e Murilo, um timaço à frente do Café – foto: Renato Salles

No dia que estivemos lá, em uma sexta à tarde, as mesas estavam todas cheias, com muitas famílias com integrantes com Down. Virou quase ponto de encontro. Mas eles querem mesmo juntar todas as tribos possíveis. Por exemplo, eles também oferecem cardápio em braile, para os cegos. A escolha da Rua Augusta foi justamente por ser um centro agregador de tribos. Simone enche a boca para dizer que quer ver o café bombar com pessoas com Down, cegos, cadeirantes, brancos, negros, novos, velhos, homens, mulheres, trans e drag queens.
Hoje, em cada 400 nascimentos, 1 tem a ocorrência da Síndrome. Essas pessoas hoje tem uma expectativa de vida de 60 anos, bem maior do que até pouco tempo atrás. O Chefs Especiais Café é só uma iniciativa de inserir essas pessoas na sociedade, de aumentar sua representatividade, desenvolver suas habilidades e valorizar seus talentos. A iniciativa, o ambiente e os atendentes são todos tão incríveis, que vale a pena bater cartão lá só para interagir com aquela turma. Eu com certeza vou.
Uma sexta bem agitada no Chefs Especiais Café - foto: Renato Salles
Uma sexta bem agitada no Chefs Especiais Café – foto: Renato Salles

Chefs Especiais Café
Rua Augusta, 2559 – Jardins
De segunda a sexta, das 10h às 19h.

3 thoughts on “Chefs Especiais Café, o primeiro café inclusivo do Brasil

  1. Gostaria de saber se ainda sao patrocinados pela FRIBOI???Aquela do escandalo da JBS??pois e muito ruim envolver a imagem desses serem de luz com uma sujeirada dessa!!!
    ESPERO QUE NÃO!!
    Boa sorte no projeto!!

    1. Regina,
      Não tenho essa informação para te dar. Sei que a Friboi era patrocinadora da ONG, mas não sei se continuam. Mas uma coisa é certa: se o Instituto perdê-los como apoio, com certeza terão uma perda grande. O trabalho que desenvolvem lá é muito bonito, mas custoso, e infelizmente no Brasil são poucos os que ajudam financeiramente instituições desse tipo.
      Vamos torcer para o trabalho deles poder continuar, independente de onde vem o dinheiro que financia. 😉

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