Câmara Fria: o bar escondido em Moema

O conceito de speakeasy surgiu na Lei Seca nos EUA, onde bares ilegais se escondiam atrás de supermercados, abaixo de galerias, em prédios residenciais e só entrava quem tinha a senha. Vários bares aqui em São Paulo já mimetizaram o conceito, como o SubAstor, a Balsa ou o Frigobar.

Bar Original. Foto:Google Locations
Bar Original. Foto:Google Locations

Confesso que tive uma quedinha pela novidade: além de gostar de tudo que é secreto, temático… é ao lado da minha casa! No andar de cima do Original, um dos bares mais tradicionais da região, você vê a mesma bat-porta, os mesmos bat-garçons que todos os habitués bem conhecem. A diferença? Uma porta de câmara fria ao lado esquerdo do balcão. É lá que se atravessa para todo um novo bar, completamente separado do “Original original”.

Porta Camara fria. Foto: Divulgação
Porta Câmara Fria. Foto: Divulgação

Para quem mora em Pinheiros, Vila Madalena ou Jardins, talvez não tenha tido a emoção que tive ao entrar. Explico: Moema é um bairro de mesmices: cheio de bares sem personalidade, ‘cara de um focinho do outro’. Ao entrar no Câmara, as paredes revestidas, o cimento aparente, os ladrilhos hidráulicos e as chopeiras dão um quê de modernidade. E, tratando-se de Moema, é um verdadeiro alívio.

Balcão Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias
Balcão Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias

No bar: nada mais que 9 tipos diferentes de chopps, todos artesanais, e a sua maioria da mineiríssima cerveja Wäls. O preço é salgadinho, varia de R$ 10 a R$ 30 cada 250 ml.

Cardápio Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias
Cardápio Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias

Não quer ir até o balcão? Que tal então pegar sua cerveja direto da banheira, no banheiro? Uma banheira repleta de gelo, as cervejas parecem iscas em algum filme de terror: mas não, estão lá para ser consumidas.

Banheiro Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias
Banheiro Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias

A pizza de calabresa vem da impecável Pizzaria Bráz (R$ 24,00), ali ao lado (aliás, o vinho também), porém em um cardápio bem enxutinho de quatro sabores. As coxinhas (que não fazem feio para nenhum Frangó ou Veloso) são pedidas somente em “hora cheia”- 7:00, 8:00, 9:00…..  teoricamente para garantir o frescor. Na nossa mesa, a teoria é que criando escassez se aumenta o consumo. No nosso caso é verdade, com medo de ficar sem pedimos 3 porções!

Tábua de queijos e embutidos Câmara Fria. Foto Divulgaçã
Tábua de queijos e embutidos Câmara Fria. Foto Divulgação

Falando com um dos novos amigos que fiz no balcão, ele contava que o Câmara Fria é um dos bares do conglomerado Cia Tradicional do Comércio. O grupo nasceu quando os proprietários queriam um boteco do Rio em SP, com o melhor atendimento possível. Assim surgiu a lista de bares e casas que conta com o Original, o Pirajá, as pizzarias Bráz e as Lanchonetes da Cidade. Ao menos tino comercial a galera tem, não?

Regras Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias
Atentar para 9a regra  Câmara Fria. Foto: Vanessa Mathias

Boa pedida para um happy hour com os amigos: a música varia de Paralamas do Sucesso a bossa nova, de Strokes a REM. Para solteiros, o balcão é o lugar para fazer amigos. Aberto esse ano, o bar continua relativamente “na surdina”, mas diferente dos speakeasies de outrora, não precisa de senha. É só chegar chegando que o garçom aponta a porta a entrar – e sempre tem lugar.

Rua Graúna, 137 – entrada pelo Original
(11) 5093-9486 

 

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