Semana de Oscars: o que tem para ver no cinema para não ficar sem opinião

Essa semana, muita gente está de olho no relógio contando os minutos para a chegada da tão aguardada sexta-feira de Carnaval, para se jogar na purpurina, ou então na estrada. Mas você, que não está em nenhum desses times, e vai passar o feriado por aqui mesmo, não se desespere. Para a tua felicidade, estamos em plena temporada de Oscars, e o cinema está bombando com os filmes que disputam a estátua dourada. Não poderia ter melhor hora para aproveitar a cidade vazia e as poucas filas para abusar da pipoca, e ainda não fazer a Gloria Pires no domingo, dia da cerimônia.
Para te ajudar, fiz uma crítica (absolutamente pessoal) do que está em cartaz entre os que concorrem a melhor filme do ano. Corre lá para assistir, e vamos discutir juntos depois nos comentários:
La La Land – Cantando Estações (La La Land): É o favorito do ano, com 14 indicações (igualando os recordistas A Malvada e Titanic). Mas é um musical, o que faz muita gente arrepiar a espinha como gato escaldado. O filme realmente é fofo, muito bem feito, colorido e bonito visualmente. Não tem aqueles diálogos cantados chatos, o que é um grande alívio. O casal central (Emma Stone e Ryan Gosling) é querido, e não se presta a ser perfeitinho. Agora, melhor filme disparado? Talvez entre fãs pré-adolescentes do Justin Bieber.

Estrelas além do tempo (Hidden Figures): Mais um filme fofo, mas daqueles que vale a pena. É daqueles que a gente tá precisando, porque não tem nem quase conflito, é tudo lindo, e faz a gente esquecer um pouco o noticiário, os boletos atrasados, o aumento da mensalidade do filho e tudo mais. As meninas são todas incríveis, não dá para entender como só Octavia Spencer foi indicada a melhor atriz (as outras são Taraji P Henson e Janelle Monaé). É quase uma dose de Lexotan cinematográfica.

A chegada (Arrival): Ficção científica bem cabeça, bem interessante e que não se baseia em mirabolices visuais para contar uma boa história. É um filme de extraterrestres que vêm à Terra, mas nada de presidente dos EUA saindo na porrada com um lagarto cabeçudo gigante. É bacana mesmo. A única pena é que a Amy Adams começou a frequentar o curso avançado de ‘artes cênicas do sussurro’ junto com a PHD Nicole Kidman.

Lion – Uma jornada para casa (Lion): falando na sussuradora-mestre, nesse filme simpatiquinho a Nicole até nem incomoda tanto com a sua asma habitual. Acho que é porque ela aceitou usar aquela peruca ruiva horrenda e perdeu aquela cara de Barbie Botox de sempre. A história do menino indiano que se perde para sempre da família e acaba adotado na Austrália é bonitinha, mas teria pelo menos meia hora a menos se o roteiro não fosse escrito por gente ligada ao núcleo de novelas da Televisa.

Até o último homem (Hacksaw Ridge): Mel Gibson é um daqueles grandes atores que pararam nos anos 90, quando a gente achava super legal acreditar no maniqueísmo, que o bem sempre triunfava no final. O agora diretor destila seu melhor lado Spielberg com uma história verídica contada de forma bem aguada. Tive que parar no meio para tomar uma dose de insulina – o mérito é por ele lançar um gênero novo: o filme de guerra água-com-açúcar.

A qualquer custo (Hell or High Water): Para mim o único que poderia bater ‘Moonlight’ como melhor filme. É um faroeste moderno, bem tenso, com uma direção de arte bem árida e forte. Só é inacreditável o Ben Foster não ter recebido uma nomeação, já que seu papel de psicopata realmente desperta nossa raiva (no bom sentido). E também que o Jeff Bridges tenha conseguido passar 2 horas de filme sem pronunciar uma palavra entendível sequer.

Manchester à beira-mar (Manchester by the Sea): dramalhão pesssssado, seco, duro, mas fraco se pensarmos que está concorrendo a melhor filme. Casey Affleck finalmente conseguiu sair da sombra do irmão com uma indicação de melhor ator, e Michelle Williams talvez ganhe o Oscar de ‘papel mais curto a receber uma indicação’.

Moonlight – Sob a luz do luar (Moonlight): A grande estreia da semana é também meu favorito a levar o prêmio principal (já levou o Globo de Ouro). É um filme de traficantes de droga em que quase não se trafica drogas. É também um filme gay em que quase não tem gay. Em tempos de discussões acaloradas sobre racismo, homofobia, marginalização, essa história é muito potente, sem ser apelativa ou melodramática. E ainda concorre aos Oscars de melhor atriz coadjuvante (Naomie Harris) e ator coadjuvante (Mahershala Ali, fantástico). É maravilhoso, vá ver. Estreia nessa quinta.

Entre os concorrentes, ainda estão para estrear: Um limite entre nós (Fences), com a favorita ao prêmio Viola Davis – dia 02/03; e Mulheres do Século 20 (20th Century Women), com uma aclamada atuação de Anette Benning, mas que concorre só a melhor roteiro original – dia 30/03.

Bonus Tracks:

Jackie: Nicole Kidman realmente está ganhando muito dinheiro com seu curso online de sussuro, porque até a Natalie Portman pegou essa doença. Vendo esse filme, a gente descobre que a Ms. Onassis era uma narcisista egocêntrica dissimulada, e conseguimos ver cada poro no nariz da moça em detalhe, porque parece que filmaram tudo com um microscópio na cara dela. Chato.

O Lagosta (The Lobster): Outro filme que disputa (sem chances) o Oscar de melhor roteiro original, mas que passou pelo cinema faz muito tempo e é imperdível. O Lagosta é uma sátira distópica bem negra das nossas convenções sociais. Difícil de digerir, mas é também um dos mais inesperados e inovadores filmes a concorrer esse ano aos Oscars.

Outros filmes em cartaz que estão indicados, mas que eu não vi são: Capitão Fantástico (melhor ator – Viggo Mortensen); Elle (melhor atriz – Isabelle Hupert); Animais Noturnos (melhor ator coadjuvante – Michael Shannon); Eu não sou seu negro (melhor documentário).
*Foto de destaque: La La Land

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