35 lugares da biografia da Rita Lee para visitar em São Paulo

Lançada no finalzinho de 2016, “Rita Lee – Uma Autobiografia” (Editora Globo) é uma deliciosa leitura. Sincero e divertido, o livro traz as memórias da magnânima roqueira paulistana, que não esconde o amor pela selva de pedra. Há de se agradecer pela espetacular memória da cantora, e claro, aptidão literária, que nos transporta lindamente para uma charmosa São Paulo das décadas de 50 e 60, passando por conturbadas e psicodélicas décadas de 70 e 80, chegando finalmente aos dias atuais.

Mas a viagem não para por aí. Por 294 páginas, Rita Lee passa por bairros, cinemas, teatros, casas de show e pontos turísticos que a gente apresenta agora para você. Esse é um post que pode ser usado como guia turístico, ou simplesmente um guia ilustrado, da parte paulistana da autobiografia. Bom proveito!

1. O casarão da Rua Joaquim Távora

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Foto: Google Maps

Já na primeira página, Rita Lee fala com muito carinho da casa em que nasceu, o “velho casarão dos anos 20 da Rua Joaquim Távora, 670, na Vila Mariana.” Hoje o terreno é ocupado por uma construção sisuda, que é sede da Igreja Presbiteriana do Parque Americano – Joaquim Távora, e parando um minutinho na rua relativamente pacata dá para se imagina a pequena fazendo suas molecagens por lá.

Endereço: Rua Joaquim Távora, 670, Vila Mariana.

2. O colégio de Rita

Foto: Facebook/Liceu Pateur
Foto: Facebook/Liceu Pasteur

São Muitos os trechos passados no gigantesco prédio do renomado colégio paulistano Liceu Pasteur, localizado na Vila Mariana (no livro Rita o localiza no bairro da Saúde). Inaugurado inicialmente no dia 17 de maio de 1923, chamando Lyceu Franco-Brasileiro “S. Paulo”, ganhou o novo nome em 1941. Teve na sua fundação nomes conhecidos dos paulistas como Ramos de Azevedo e Julio Mesquita, ao lado do médico e psicólogo francês Georges Dumas.

Liceu Pasteur
Endereço: Rua Mairinque, 256, Vila Mariana.

3. O consultório do pai

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Foto: Google Maps

Nosso conhecimento arquitetônico não sabe precisar se o prédio localizado na Rua Xavier de Toledo, 98, no Centro, é o mesmo em que Charles Fenley Jones atendia seus pacientes no sétimo andar (alguns até bastante ilustres, como Rita conta no livro). Mas que o edifício que está por lá é hiper charmoso, isso é. Mesmo hoje sediando o entediante Conselho Regional de Corretores de Imóveis.

Endereço: Rua Xavier de Toledo, 98, República.

4. O parquinho da pequena Rita

Foto: Cida Souza
Foto: Cida Souza

Apresentando a madrinha de batismo Balú, a cantora cita o Parque Trianon como um dos lugares em que ia na infância. Localizado no meio da Av. Paulista e ignorado por grande parte dos passantes da movimentada avenida, o parque Tenente Siqueira Ramos era um dos locais preferidos das crianças nas décadas passadas – em especial o parquinho, também citado na biografia da cantora Maysa “Maysa – Só numa multidão de amores“, de Lira Neto (Editora Globo).

Projetado pelo paisagista francês Paul Villon e o inglês Barry Parker, o parque foi inaugurado em 3 de abril de 1892 e conta com 48,6 mil m² de vegetação tropical, remanescente da Mata Atlântica. Abriga espécies exóticas, como o chichá, a cabreúva, o palmito-jussara, palmeira-de-leque-da-china, cedro, jequitibá, além das esculturas “Fauno”, de Victor Brecheret, e  “Aretusa’, de Francisco Leopoldo Silva.

Fato curioso, o nome Trianon, com o é conhecido o parque e a estação de metrô, se deve ao antigo Clube Trianon que ficava localizado onde hoje é o MASP.

Parque Trianon
Endereço: R. Peixoto Gomide, 949 (Altura do nº 1500 da Av. Paulista) – Cerqueira Cesar
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5. Passeio do final de semana

Foto: Aviões e Musicas
Foto: Aviões e Musicas

“Uma farra familiar aos sábados de feira: ir ao Aeroporto de Congonhas ver avião subir e descer. No segundo andar do prédio havia uma varanda para visitantes, bem em cima dos portões de embarque”, descreve Rita antes de contar uma divertida história com um ilustre passageiro.

Com arquitetura inspirada no estilo art déco, o aeroporto foi obra de Ernani Val Penteado e Raymont A. Jehlen. Teve seu local definido em 1935, recebendo o nome no ano seguinte, em homenagem ao Visconde de Congonhas do Campo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, primeiro governante da Província de São Paulo após a Independência do Brasil.

Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp, conta com um chão quadriculado preto e branco, terraço e salões de festa, um busto de Santos Dummont feito por Victor Brecheret, um painel ao lado da escada no salão principal assinado pelos arquitetos que projetaram o aeroporto, um mural de Di Cavalcanti e Clóvis Graciano no Pavilhão das Autoridade e pinturas em espelho de Jacques Monet.

Aeroporto de Congonhas
Endereço: Av. Washington Luís, s/nº, Vila Congonhas.

6. O cinema da infância

Foto: Marcio De Assis / Wikipedia
Foto: Marcio De Assis / Wikipedia

São Paulo era recheada de grandes cinemas e a maioria foi destruída para dar lugar a novos empreendimentos. Na autobiografia, Rita cita o Cine Leblon como o espaço onde ia assistir Tom e Jerry. Localizado no numero 934 da Avenida Vergueiro, foi para o saco com a construção do metrô. Mas nem tudo está perdido: no local hoje está o charmoso e receptivo Centro Cultural São Paulo.

Rita lembra ainda do Cine Phoenix, localizado na esquina Joaquim Távora com a Domingos de Moraes (onde hoje é um Banco do Brasil), o Cine Cruzeiro, na Praça Ana Rosa (hoje um supermercado Pão de Açúcar), o Cine Liberdade (numero desconhecido) e Cine Metrópole na Galeria Metrópole, que virou uma balada do grupo The Week em 2012, fechando as portas em 2014 por conta de problemas com a administração da galeria.

Centro Cultural São Paulo
Endereço:  Rua Vergueiro, 1000, Paraíso.

7. Ponto de partida para férias

Estação da Luz
Webysther Nunes/ Wikipedia

“Dessa vez o harém ia de trem, e a impressão de entrar na majestosa Estação da Luz construída pelos ingleses era a de um filme europeu em branco e preto da Segunda Guerra. Tudo para nós era cinema”, relata Rita.

Aberta ao público em 1º de março de 1901, a Estação da Luz ocupa 7,5 mil m² e é formada por estruturas trazidas da Inglaterra que copiam o Big Ben e a Abadia de Westminster. Em 1946, o prédio da Luz foi parcialmente destruído por um incêndio, e a reconstrução se estendeu até 1951, quando foi reinaugurada. Tombada em 1982 pelo Condephaat, sofreu uma grande reforma para receber o Museu da Língua Portuguesa, que também pegou fogo em 2015 e tem previsão de reabertura em 2018.

Estação da Luz
Endereço: Praça da Luz, 1, Luz. 

8. Peraltices infantis 

Foto: Paróquia Nossa Senhora da Saúde
Foto: Paróquia Nossa Senhora da Saúde

Uma simples capela no início do século XX foi entregue, pelo então Arcebispo de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva, em 1º de abril de 1916 aos Padres Agostinianos Recoletos. Passou a receber o nome de Paróquia Nossa Senhora da Saúde. Em maio de 1928 foi colocada a primeira pedra fundamental da atual igreja, e a construção seguiu até  7 de junho de 1935, quando foi aberta ao culto com a bênção do Sr. Bispo Dom José Gaspar Alfonseca e Silva.

Os acabamentos de pintura e esculturas só viriam a ser finalizado em 1959 com a colocação do altar-mor. A igreja conta com detalhes de anjos, figuras bíblicas, vitrais, símbolos e santos agostinianos, uma torre de 70m de altura, dois sinos que soam automaticamente ao meio-dia e às 18 horas.

Foi em meio a essa riqueza que Rita aprontou das suas junto com a irmã: “travestidas de aleijadinhas, fomos algumas vezes pedir esmola em frente à saída da missa das onze da Igreja Nossa Senhora da Saúde”.

Paróquia Nossa Senhora da Saúde
Endereço: Rua Domingos de Morais, 2387, Vila Mariana.

9. Floresta, parque e locação

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Foto: Divulgação

São três os momentos em que o Ibirapuera aparece na autobiografia: o primeiro quando ainda era a Floresta do Ibirapuera, local em que realizava piqueniques com a família. Em seguida, a abertura do parque em 1954 na comemoração ao quarto centenário da cidade e, por fim, quando fotografa a capa do terceiro álbum com a banda Tutti Frutti: Entradas e Bandeiras, em 1976. Em todos os trechos, a descrição é tão bem feita que é possível visualizar as cenas.

Parque Ibirapuera
Endereço:  Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana.

10. A igreja de Rita

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Fotos: Elyne Martins e Roberta Parente / Instagram

Em meio a toda sua “porralouquice”, há na história de Rita uma igreja que permeia praticamente toda sua vida: a Paróquia de Santo Inácio de Loiola. Lá ela interpretou um anjinho no teatro da procissão da Sexta Feira da Paixão na infância, fez sua primeira comunhão, o batizado do filho Beto (onde Gilberto Gil e Sandra eram os padrinhos) e também dos filhos Juca e Tui, que foram apadrinhados por amigos e familiares menos célebres.

Há pouca informação disponível sobre a igreja, porém a bela construção vale a visita.

Paróquia de Santo Inácio de Loiola
Endereço: R. França Pinto, 115, Vila Mariana. 

11. A estação de locomoção

Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

Além do carro da famíliam o outro meio de locomoção de Rita na infância era o bom e velho bonde. No livro, ela lembra com carinho da estação de bonde no fim da “Rua Vergueiro com a Domingos de Moraes”, onde hoje se localiza a estação de metrô Vila Mariana, que era basicamente como nesta foto acima. A visita infelizmente vai ter que ficar só na imaginação, tendo em vista que hoje está tudo absolutamente diferente.

Endereço: Av, Professor Noé Azevedo, 255, Vila Mariana.

12. Primeiras apresentações

Sede Grupo Folha

Localizada em meio à atual região conhecida como cracolândia, o prédio da Folha de São Paulo é sede do jornal desde os anos 50, e foi lá que começaram as apresentações de Rita. “Nem só de sacanagem vivia minha ginasiana medíocre. Eu também dava meus primeiros trinados participando do Tulio Trio em apresentações semanais no auditório da Folha de São Paulo”, conta ela.

Folha de São Paulo
Endereço: Al. Barão de Limeira, 425, Campos Elíseos.

13. Paulistaníssimo

Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto: Prefeitura de São Paulo

Outro espaço de início de carreira musical foi o Teatro João Caetano, ainda em funcionamento, onde rolavam os festivais escolares com a sua banda Teenage Singers. Inaugurado em 25 de dezembro de 1952, recebeu o nome em homenagem ao ator e encenador brasileiro que fundou a primeira companhia de atores nacionais. O saguão principal conta ainda hoje com um painel do artista plástico Clóvis Graciano. O espaço é público e tem uma programação majoritariamente gratuita.

Teatro João Caetano
Endereço: R. Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino 

14. Matando aula

Divulgação: Museu do Futebol
Divulgação: Museu do Futebol

“Sou péssima para datas mas lembro de uma em especial, que rolou na época dos Jogos Panamericanos em São Paulo. Virginia e eu cabulamos aula e fomos dar o rolê nas provas de atletismo nas arquibancadas do Pacaembu,” conta Rita.

Inaugurado por Getúlio Vargas em 1940, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – o Pacaembu – era considerado o maior e mais moderno da América Latina, construído em uma área de 6.900m². Atualmente sedia também o ultra tecnológico Museu do Futebol.

Estádio do Pacaembu
Endereço: Praça Charles Miller, s/nº, Pacaembu.

15. Casa dos lançamentos

Foto: divulgação
Foto: divulgação

“Lembro que a única lojas de discos atualizadas em São Paulo era a Hi-Fi.” conta Rita na autobiografia. O motivo disso é que Hélcio Cerrano, dono da loja de discos, era comissário de bordo e trazia de Miami os mais recentes lançamentos dos EUA. Na lista de célebres clientes estava, além de Rita, Raul Seixas, Elis Regina, Luis Gonzaga e Chico Buarque. Fundada em 1956 no numero 2.194, hoje um terreno baldio, fechou as portas em 2002, com o encerramento das atividades da última unidade localizada no Shopping Iguatemi.

Endereço: Rua Augusta, 2.194, Cerqueira César.

16. Viagem interestelar 

Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto: Prefeitura de São Paulo

Outro ponto citado por Rita Lee é o Planetário Aristóteles Orsini, mais conhecido como Planetário do Ibirapuera, o primeiro do país, inaugurado em janeiro de 1957. Após anos fechado para manutenção, reabriu as atividades em 2016. Talvez seja por conta das visitas na infância que a cantora tenha se tornado tão apaixonada pelo espaço (incluindo seres que ela acredita viver por lá).

Planetário Aristóteles Orsini
Endereço: Av. Pedro Alvares Cabral, s/n°, Ibirapuera.

17. Permanentemente fechado

Museu do Ipiranga
Museu do Ipiranga

O Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga como é mais conhecido, foi inaugurado em 7 de setembro de 1895 como Museu de História Natural, e seu primeiro núcleo de acervo foi a coleção do Coronel Joaquim Sertório. Ao longo do tempo, houve uma série de transferências de acervos para diferentes instituições, a última em 1989, para o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. A partir daí, o Museu Paulista vem ampliando substancialmente seus acervos referentes ao período de 1850 a 1950 em São Paulo. Atualmente, conta com mais de 125.000 peças, mas está fechado desde 2013 para reformas. A má notícia é que a previsão de reabertura é 2022, já que as obras mal começaram.

No livro, Rita conta que conhecia bem o museu. A parte boa é que o belo jardim, assim como a Casa do Grito e o Mausoléu, permaneceram abertos para visitação.

Museu do Ipiranga
Endereço: Parque da Independência, s/nº, Ipiranga. 

18. Lembranças de uma construção

David Libeskind/ Pinterest
David Libeskind/ Pinterest

Em outro momento do livro, a cantora conta que se lembra da construção do sempre cultuado Conjunto Nacional. Na época, ele ficou famoso por receber o renomado restaurante Fasano, onde se realizavam os badalados “jantares dançantes” com direito à presença de nomes como Nat King Cole, Roy Hamilton e Marlene Dietrich. Com a ditadura militar, o restaurante fechou as portas e atualmente sedia uma unidade espetacular da Livraria Cultura, o Cine Livraria Cultura, além de lojas e restaurantes. Outra característica marcante do edifício é o relógio gigante no topo, construído em 1962.

Conjunto Nacional
Endereço: Avenida Paulista, 2073, Jardim Paulista.

19. No escurinho do cinema

Luiz Eduardo Cirne Correa / Wikepedia
Luiz Eduardo Cirne Correa / Wikipedia

Além de todos os cinemas citados por Rita listados acima, um dos mais destacados era o Metro e suas “escadarias elegantes”, como lembra a cantora. O local que sediou o cinema entre 1938 e 1997 na Av. São João, hoje é sede de uma igreja evangélica. A justificativa para o fechamento foi o baixo público e a localização perigosa.

Cine Metro
Endereço: Avenida São João 791.

20. Lembrança clássica

The Photographer / Wikipedia
The Photographer / Wikipedia

Se existe uma memória clássica de todo paulistano que indica riqueza e luxo, essa memória é do Theatro Municipal. No caso de Rita as lembranças são dos lampiões que circundam o edifício. Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi, o Municipal começou a ser construído em 1903 e, em 12 de Setembro de 1911, foi aberto diante de uma multidão de 20 mil pessoas. Pelo palco já passaram as mais importantes companhias artísticas da primeira metade do século 20, como Enrico Caruso, Maria Callas, Renata Tebaldi, Arturo Toscanini, Villa-Lobos, Magdalena Tagliaferro, Ella Fitzgerald, Baryshnikov, entre outros. Além, claro, de sediar a emblemática Semana de 22.

Theatro Municipal
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Sé.

21. Passeio que não se faz mais

Foto: ViaTrolebus
Foto: ViaTrolebus

Parte divertida de ver alguém contando como era a vivência na cidade mais de 50 atrás, é se imaginar em um local hoje completamente cotidiano como um passeio, algo que Rita faz ao relembra as voltas no Viaduto do Chá. Hoje sempre movimentado e cheio de correria, o viaduto ainda pode ser aproveitado aos finais de semana e também no carnaval com seus tantos blocos.

Oficialmente o primeiro viaduto da cidade, foi inaugurado em novembro de 1892 e leva esse nome por, na época, estar próximo das plantações de chá da Índia. A estrutura metálica veio da Alemanha e, na época, rolou até barraco com direito à população paralisando a obra em 1888 por serem contra um viaduto na cidade. Com 204 metros de extensão, liga a Rua Barão de Itapetininga, antiga Rua do Chá, à Rua Direita. Até 1897, era preciso pagar 60 réis, ou três vinténs para atravessá-lo.

Endereço: Viaduto do Chá, Anhangabaú.

22. Outros tempos, outro nome

Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto: Prefeitura de São Paulo

Citado por Rita como “Banco do Estado”, o Edifício Altino Arantes, mais conhecido como Banespão, passa por uma das situações mais triste para quem gosta de turistar pela cidade: está fechado por tempo indeterminado sem mais explicações por parte do Banco Santander, que administra o prédio após comprar o banco estatal Banespa.

Projetado por Plínio Botelho do Amaral, demorou oito anos para ficar pronto, sendo inaugurado 1947. Todo em concreto armado, tem 161,22 metros de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. Foi considerado em 1948 a maior estrutura de concreto armado do mundo e durante 20 anos o prédio mais alto da cidade. Se o passeio pelo museu interno e a reconhecida vista panorâmica não é possível, há de se admirar a arquitetura externa do edifício.

Edifício Altino Arantes
Endereço: Rua João Brícola, 24, Centro.

23. Garbo e elegância 

Foto: Andreia Reis / Wikipedia
Foto: Andreia Reis / Wikipedia

A lembrança de Rita do Edifício Martinelli é de “chiquê”. Ela não poderia definir de forma melhor o edifício que começou a ser construído em 1924 projetado para ter 12 andares. Localizado entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João, sob a batuta do arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena.

O chiquê que Rita cita valeu desde o começo: todo o cimento da construção era importado da Suécia e da Noruega, pela própria casa importadora do mega empresário Giuseppe Martinelli, então dono do prédio. Nas obras trabalhavam mais de 600 operários e 90 artesãos. A fachada foi desenhada pelos irmãos Lacombe, que mais tarde projetariam a entrada do túnel da Av. 9 de Julho.

Na sua abertura, chegou a 25 andares mais uma casa de cinco andares no topo. O projeto conta ainda com portas de pinho de Riga, escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, elevadores suíços, além de paredes das escadas revestidas de marmorite, pintura a óleo nas salas a partir do 20º andar e 40 quilômetros de molduras de gesso em arabescos. Depois da reforma de 1975, passou a ser ocupado por órgãos públicos.

Edifício Martinelli
Endereço: R. São Bento, 405, Centro. 

24. Sempre imponente 

saofrancisco

Finalizando a lista de centro histórico, Rita não deixou de fora a grandiosa Faculdade de Direito Largo São Francisco. Parte do principal conjunto de arquitetura barroca da cidade, o edifício ficou pronto em 1934 após a demolição do antigo convento de São Francisco em 1830 (o prédio anterior já abrigava a faculdade desde 1827). A Faculdade é a mais antiga do Brasil e conta com uma biblioteca aberta ao público com cerca de 300 mil títulos e teve como alunos ilustres Rui Barbosa, Castro Alves, Monteiro Lobato, Álvares de Azevedo e Hilda Hilst.

Faculdade de Direito Largo São Francisco
Endereço: Largo São Francisco, 95, Centro.

25. A beleza do mesmo nome

Edgar de Camargo / Foursquare
Edgar de Camargo / Foursquare

“Nessas andações, descobri a Casa dos Artistas na ‘suspeita’ Rua Major Sertório, centrão de São Paulo, um brechó de circo e teatro, a butique perfeita para os Mutantes”, conta Rita. Infelizmente não foi possível encontrar onde exatamente ficava o estabelecimento, mas eu gostaria de acreditar que é onde fica a gigantesca loja A Casa do Artista, uma loja especializada em materiais de artes plásticas enlouquecedoramente linda.

A Casa do Artista
Endereço: Rua Major Sertório, 447, Vila Buarque.

26. La galeria

galeria
Foto: Renata Freitas (que pode ser comprada aqui).

Projeto de Gian Carlo Gasperini (1926) e Salvador Candia (1924 – 1991), eles toparam trabalhar juntos após empatarem em primeiro lugar no concurso promovido para eleger a melhor proposta para o edifício. Construído entre 1959 e 1964, é lembrado por Rita por seu cinema, como já citado, como também por ter feito uma ponta em um filme rodado no local.

Depois de anos meio abandonado, nos últimos anos o edifício começou a se movimentar por conta dos novos residentes artísticos, bares e restaurantes que se instalaram no local. Vale a visita.

Galeria Metrópole
Endereço: Av. São Luís, 187, Centro. 

27. Palco da história

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Foto: PUC São Paulo

“Não me lembro bem em que ano aconteceu a fase paulista do FIC – Festival Internacional da Canção – no teatro da PUC em São Paulo, reino estudantil esquerdete”. É assim, com sua fina ironia de figura apolítica extremamente política que Rita se refere ao TUCA, o teatro da faculdade que foi palco de vários momentos da história.

Inaugurado em 11 de setembro 1965, com o intuito de promover eventos científicos e culturais, já existia desde 1961 como auditório Tibiriçá. Na época da abertura, Roberto Freire foi contratado com o diretor-geral do grupo de teatro, enquanto o ator e diretor Silnei Siqueira foi indicado como diretor de atores. A primeira peça exibida foi Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Entre 1969 e 1974, estiveram nos palcos Elis, Caetano, Vinicius e Fernanda Montenegro, onde atuavam em meio a repressão da Ditadura Militar.

TUCA
Endereço:  R. Monte Alegre, 1024, Perdizes.

28. Viagem mais errada

Foto: Viagens e caminhos
Foto: Viagens e caminhos

Um dos trechos mais hilários é uma das “viagens” da cantora passada na Praça da República, uma queridinha da cidade (talvez única área verde da região central). Originalmente chamada de Largo dos Curros, era no século XIX palco de rodeios e touradas. Após essa fase, foi chamada de Largo da Palha, Praça das Milícias, Largo Sete de Abril, Praça 15 de Novembro, até que em 1889 passou a ser Praça da República. Abriga edifícios históricos como o Edifício Eiffel de Oscar Niemeyer e, desde 1956, aos domingos recebe a Feira da Praça da República voltada para artesanato.

Praça da República
Endereço: República, s/n°, República.

29. No subsolo

Foto: Fiquei Deficiente
Foto: Fiquei Deficiente

“‘A governanta-empresária conseguiu negociar a estreia dos Fruttis no porão/esgoto do Teatro Ruth Escobar em troca de sempre mencionar tal gentileza em entrevistas,” cita Rita com memória pouco calorosas do espaço.

Inaugurado em 1963, propriedade da atriz que dá nome ao teatro, abriu as portas com a montagem de “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, sob a direção de José Renato. Foi lá que o Comando de Caça aos Comunistas invadiu e espancou o elenco da peça “Roda Viva” (que incluía a atriz Marília Pera). Hoje é palco de peças B infantis, uma pena.

Teatro Ruth Escobar
Endereço: Rua dos Ingleses, 209, Bela Vista.

30. No estúdio

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Um dos poucos estúdios onde Rita gravou em São Paulo é o Estúdio Eldorado, aberto em 1971, o primeiro da América Latina a ter uma mesa de 16 canais. Para testar o potencial chamaram os Mutantes, mas a banda já havia lançado o álbum Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets e o contrato com a Polydor só permitia um lançamento por ano. A solução encontrada foi gravar e lançar como se fosse um disco solo da sua vocalista, Rita Lee.

Existe um prédio no endereço, porém não é possível saber se é o mesmo do estúdio. Não há nada de mais. A parte boa é que dá para dar uma espiada quando for comer aquele lanche de pernil delícia da lanchonete Estadão, localizada na esquina.

Endereço: Rua Major Quedinho, 76, Centro.

31. As residências

Foto: Emerson R. Zamprogno
Foto: Emerson R. Zamprogno

Uma das muitas residências da cantora na cidade foi um “sobradinho na Rua Pelotas”. Infelizmente Rita não é tão precisa quanto foi com a casa da infância e não conta a numeração, mas vale caminhar pelas cinco quadras da rua que tem esse nome em homenagem à cidade do Rio Grande do Sul e tentar imaginar qual foi a morada da ovelha negra. De quebra, ainda se pode dar aquela passada no maravilhoso SESC Vila Mariana e aproveitar a farta programação.

Outras boas andanças podem ser feitas nas:

  • Ruas Eça de Queiroz, na Vila Mariana, onde a família Lee viveu em um “microapê” alugado e recebeu Rita em tempos de prisão domiciliar.
  • Rua Ferdinando Laboriau, no Pacaembu, onde viveram em um “casa térrea simpática”.
  • Rua Manoel Maria Tourinho, também no Pacaembu, agora morando em um “sobradão bacana estilo espanhol”.
  • Rua Bahia, no Higienópolis, onde residiram por bastante tempo em um “mega duplex de cobertura há um quarteirão da FAAP, entre as praças Buenos Aires e Vila Boim”.
  • Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, onde foi morar sozinha no “pequeno apê” onde acabou “acorrentada de vez à escravidão da birita”.

SESC Vila Mariana
Endereço: R. Pelotas, 141, Vila Mariana.

32. Com a Pimentinha

Foto: São Paulo Antiga
Foto: São Paulo Antiga

Em um dos poucos momentos do livro em que a memória da autora talvez tenha se enganado (e também do revisor e editor), está a lembrança da gravação do especial de TV com Elis Regina, quando conheceu também Adoniran Barbosa. No livro ela se refere ao local como “Teatro Fênix do Bixiga”. Na verdade, o especial era da Rede Bandeirantes e foi gravado no Teatro Aquarius, no Bixiga mesmo. A confusão de nomes provavelmente se deu por conta dos especiais da Rede Globo, em que Rita era figura constante, serem gravados no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro.

Agora voltando ao Teatro Aquarius. Inaugurado em 10 de outubro de 1940 com uma sessão exclusiva para convidados, era ainda Cine Rex e foi um sucesso até meados da década de 70. Quando fechou as portas, deu lugar ao Teatro Zaccaro e posteriormente Aquarius (ou vice e versa). Lá foi gravado Perdidos da Noite, o primeiro programa do Faustão e também onde estreou nos anos 90 o sucesso ainda em cartaz ‘Trair e Coçar é só Começar’. Hoje o prédio se encontra abandonado, mas é uma das arquiteturas mais charmosas da cidade.

Teatro Aquarius
Endereço: Rua Rui Barbosa 266, Bela Vista.

33. Faculdade abandonada

Dornicke/ Wikipedia
Dornicke/ Wikipedia

Em uma breve passagem pela Faculdade de Comunicação da USP, Rita conta: “Passei um ano bundando na USP (na mesma classe da Regina Duarte, a futura namoradinha do Brasil), na base do ‘assina a presença pra mim'”. Depois disso resolveu abandonar o curso e se dedicar apenas à música.

A Escola de Comunicação e Artes foi fundada em 1966 e está localizada na Cidade Universitária, o grande complexo que contempla as faculdades da USP, que já havia sido projetada em 1930 mas só saiu do papel em 1968. Localizada na região do Butantã, merece uma visita completona.

Cidade Universitária
Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária

34. Aos animais

Belrocha94 / Wikipedia
Belrocha94 / Wikipedia

Outro espaço da cidade que aparece diversas vezes no livro (quatro para ser mais exato), é o Instituto Biológico. Primeiro como estacionamento para os piqueniques na “Floresta Ibirapuera”, depois onde Rita arranjava ratinhos para suas cobras de estimação e por fim onde adotou alguns dos muitos animais que cuidou durante a vida.

Fundado em 1927, o Instituto é um centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado e abriga os Centros de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal, Vegetal e Proteção Ambiental, o Museu do Instituto Biológico, um Centro de Memória e uma biblioteca com mais de 100 mil volumes em seu acervo.

Inaugurada em janeiro de 1945, a sede do Instituto Biológico levou quase duas décadas para ficar pronta. Projetado pelo arquiteto Mário Whatey, tem uma arquitetura art-decó, com o uso de formas geométricas influenciadas por movimentos como futurismo, cubismo e construtivismo. No espaço, muito mármore Lionz, vindo de Portugal, janelas de ferro fundido confeccionados pela Escola de Artes e Ofícios do Estado, pisos de Ipê e ladrilhado confeccionado na Companhia Cerâmica Brasileira, além dos jardins desenhados pelo arquiteto e paisagista belga Arséne Puttemans.

Instituto Biológico
Endereço: Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Vila Mariana.

35. Despedida

anhangabau
Foto: Wikipedia

“Dia 25 de janeiro de 2013, no aniversário de 459 anos da cidade, eu entrei no palco do Anhangabaú enrolada na bandeira paulistana e duranta toda a apresentação a santa da casa fez, enfim, o milagre de ser ovacionada. Missão cumprida au grand complet”, relata a cantora sobre seu último show antes da aposentadoria. Lindamente emblemático, data e cartão postal escolhidos para a despedida, o Anhangabaú nunca mais será o mesmo depois de Rita.

Não existem informações precisas sobra  a ocupação do vale, porém há registros de que em 1751, o governo já estava preocupado com um vale aberto por Tomé de Castro na região. Até 1822 era uma chácara pertencente ao Barão de Itapetininga e posteriormente à Baronesa de Itu. Em 1877 começa a urbanização da área, com a idealização do Viaduto do Chá. Só em 1910 foi feito o ajardinamento do Vale do Anhangabaú, resultando na formação do Parque do Anhangabaú que viria a ser substituído por uma via expressa no fim da década de 30.

Endereço:  Vale do Anhangabaú, Centro.

 *foto do destaque: Facebook/Rita Lee

Iran Giusti

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a projetos de militância LGBT e produção de conteúdos em que acredita.

3 thoughts on “35 lugares da biografia da Rita Lee para visitar em São Paulo

  1. Parabéns por ter dado realidade a uma ideia que tive logo que li o livro quando foi lançado. Como sou preguiçosa você saiu na frente, e diga-se, muito bem. Legal trazer informações de cenários da vida dessa nossa rainha Rita. Só uma correção: O teatro João Caetano fica na Rua Borges Lagoa( sorte,não sei o número) e não na Rua França Pinto.

  2. Ótima ideia identificar esses 35 endereços da biografia de sua Majestade
    Vale então agregar que o citado Teatro Zacaro, entre 1978 e 1980, foi a discoteca Aquarius, que reinou absoluta em seu período sob as anteriores (Banana Power e Papagaio Disco Club).O projeto era uma cópia quase fiél do Studio 54 com camarotes suspensos de estofado prata, tubos de luz que desciam do teto e um super paínel de neon em cima da cabine. Sua Majestade deve ter pisado lá pois toda SP ia. O show do Village People foi lá….

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