Como um campeonato de queimada se tornou o rolê mais legal da cidade

No começo do ano eu ouvi falar de um evento em Belo Horizonte chamado Gaymada, que basicamente consistia em um montão de LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) jogando queimada em um espaço público junto com um algumas intervenções. Amei o nome de primeira e fiquei super com vontade. Porém, em nenhuma das recentes idas à cidade mineira a agenda bateu, até que um coletivo resolveu reproduzir o evento aqui em São Paulo.

No descritivo do grupo no Facebook já dá pra se apaixonar. “A ideia do coletivo Gaymada São Paulo é trazer à Selva de Pedra mais cor em formato de partidas de queimada LGBTT , como forma de ocupar os espaços públicos com nossos corpinhos nada discretos, muito menos fora do meio. Além disso, os jogos também têm o cunho de unir a comunidade LGBTT em um momento de descontração, diversão e lacração, bem como em uma competição saudável.”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Durante as oito edições, o evento transbordou amor. Foi ganhando temas, crescendo e hoje a edição paulistana concentra, além das partidas de queimada, jogos de vôlei e o Ppkfut, o futebol das mulheres lésbicas. Os nomes são, na verdade, apenas divertidas brincadeiras. No fim das contas, é tudo junto e misturado, e até o público passante do Largo da Batata, que sedia o evento, acaba entrando no jogo. Não raro, crianças da vizinhança aproveitam a galera para bater uma bolinha. Ah, rola também campeonatos eventuais de bambolê e corda. Como não amar?

Não existem regras e nem times definidos. Com um alto falante, a trupe vai organizando quem quer disputar as partidas de cada categoria. O forte mesmo acaba sendo a queimada, mas constantemente pequenos grupos se formam para saques e pênaltis.

Isoporzinho e som na caixa

Realizados durante o dia, em geral no último domingo do mês (quando a conta já está zerada), a Gaymada sempre tem um isopor (nada inho diga-se de passagem) com gelo para que você leve seus drinks, sejam eles alcoólicos ou não. Tudo é tranquilo e cada um consome o que leva. De quebra, o coletivo ainda organizou uma parceria com a Chicago Produções, que monta uma pequena estrutura de som que anima a tarde da galera.

O evento no Facebook é uma atração a parte. Por lá rolam interações, playlists, gifs explicativos, tudo pra deixar a gente louco de vontade de colar no rolê. Ah, e apesar de temáticas, as fantasias não são obrigatórias, mas fazem muito bem para os olhos.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Vale lembrar também que a Gaymada é absurdamente democrática. Inclusive é um espaço seguro e acolhedor não só para LGBTs, como também para crianças, algo que sabemos que é raro em eventos. E olha não tem nada mais fofo e lindo do que ver a molecada convivendo com diversidade desde cedo.

Animou? A próxima edição acontece no dia 17 de dezembro, a partir das 13h, no Largo da Batata (ou seja, ainda dá pra ir de metrô toda linda).

 

Iran Giusti

Iran Giusti é formado em Relações Públicas pela FAAP, atuou como gestor de redes sociais e gerente de projetos em agências de RP e Social Mídia e como jornalista foi repórter do canal de conteúdo LGBT do Portal iG e do BuzzFeed Brasil. Atualmente se dedica a projetos de militância LGBT e produção de conteúdos em que acredita.

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