Respira – um curso para aprender a viver melhor

2016 não está fácil para ninguém, e eu não sou exceção. Pouco trabalho, pouco dinheiro, doença na família, e olha que nem abri o Facebook ainda. Quando eu estava à beira de um ataque com cores de Almodóvar, recebi um convite para conhecer um curso novo que parecia enviado por anjos-bebês com harpas na mão. O curso chamava RESPIRA! A descrição era um pouco vaga, e confesso que não entendi muito bem do que se tratava. Mas esse título me fisgou de jeito, e não pude recusar. Não sabia nem porque, mas risquei as noites de terças e quintas de agosto da agenda, e prometi que ia me jogar de cabeça. Essas noites estariam reservdas para deixar os problemas da porta para fora. Só isso já me bastava.

O Respira é o primeiro curso de longa duração (5 semanas) montado pela Marcia Freire e seu marido Gustavo Simões, dentro de um programa muito maior chamado Be Project. A ideia desse Respira era juntar um grupo de pessoas com expertise em áreas diversas que tratam do auto-conhecimento. Esses profissionais eram chamados de facilitadores, e cada semana um traria um assunto que domina para uma aula/palestra, e outra para uma vivência. Entre os assuntos abordados, estão coisas como detox mental, marketing essencial, criação e intuição, o ego e a mente, e meditação. Tudo parecia muito diverso para mim, e até meio viajandão. Mas sendo a primeira edição, eu já sabia que estaríamos testando a fórmula. E o resultado foi surpreendente.

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O grupo de respirantes não poderia ser mais heterogêneo, e as pessoas procuraram o Be Project pelos mais diferentes motivos: de relações interpessoais traumáticas a busca por novos objetivos de vida, de medos da vida em sociedade a stress nível Michael Douglas em ‘Um Dia de Fúria’. Tinha gente nova e gente que já tinha vivido muito, místicos e céticos radicais. E eu, que estava ali aparentemente sem motivo e sem crença, sem lenço nem documento. Mas nada é por acaso, e aos poucos fomos todos nos conhecendo, nos encaixando nas nossas vulnerabilidades e forças, e não tem um só de nós que não saiu transformado. Que não saiu melhor. A cada semana, abríamos um pouco mais as portinhas dos nossos corações feridos, e encontrávamos nesse grupo de estranhos não respostas, mas caminhos possíveis para atravessar os obstáculos e seguir em frente com mais convicção e plenitude. O que era para ser uma aula virava um encontro, uma conversa de amigos, uma terapia em grupo, e uma viagem para dentro de nós mesmos, nessa pequena constelação que formamos.

O Respira não se propõe a ensinar ninguém sobre nada. O que eles querem é mostrar ferramentas para que cada um aprenda a usar sozinho, da forma que melhor entender. Essas ferramentas, tão simples mas tão desprezadas, são essenciais para viver de forma mais leve e responsável, para fluir junto com os movimentos da vida ao invés de combatê-los, para entender a nossa posição no mundo e o papel que desempenhamos junto aos que nos cercam, e para nos conhecer muito bem para não mais nos trairmos. Parece conversa de Mestre dos Magos, mas não é. Tudo o que é mostrado no Respira está dentro de nós, mas por algum motivo nunca nos permitimos acessar esse conteúdo. Basta abrir os olhos e começar a se mexer.

O Be Project tem outras atividades além desse curso, como talks e palestras, participações de eventos, e quem sabe até retiros. Tem tudo lá no site, e a programação é grande até o fim do ano. Mas quem se interessar, começa agora, dia 27 de setembro, a segunda edição do Respira. Alguns facilitadores continuam, como os sensacionais César Suziganm, Jussara Pramoda e Elias Khadira, e alguns estão chegando agora, com certeza para deixar o todo ainda melhor.

Hoje, tão pouco tempo depois, já sinto saudades das minhas noites de encontro comigo mesmo e com gente tão especial, que hoje considero amigos. Se pudesse, faria tudo de novo.

Respira – Be Project
De 27 de setembro a 3 de novembro – Terças e quintas, das 19h30 às 22h
Espaço After School – Rua Gregório Paes de Almeida, 622 – Alto de Pinheiros

Foto do destaque: Flickr – Patricia Russano

Renato Salles

Paulistano da gema e da clara, conhece o mapa de São Paulo melhor que muito taxista (mas foge do trânsito como da cruz!)

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