Só dá elas: visite a exposição das Mulheres Artistas no MAB

Ao entrar no local, o saguão do Museu de Arte Brasileira já impressiona, principalmente pelo vitral de 350 metros quadrados com trabalhos de Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Lina Bo Bardi, Lasar Segall e Tomie Ohtake, entre outros. Logo após, os visitantes são recepcionados por réplicas dos profetas de Aleijadinho. Subindo um pouco o olhar, lá está a também enorme claraboia no teto, obra de Claudia Andujar sobre a floresta amazônica.
Emoldurando as entradas dos dois salões expositivos, ficam os portais barrocos que, assim como as estátuas dos profetas, foram feitos para a exposição inaugural do museu. O localizado à direita do saguão nos leva para a exposição “Elas – Mulheres Artistas no acervo do MAB”, em cartaz até o dia 18 de dezembro.
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Contrastando com a luminosidade da entrada, um espaço todo preto, do chão ao teto. Assim sobressaem as 82 obras de 64 mulheres artistas que representam a ascensão feminina no panorama da arte nacional ao longo dos séculos 20 e 21, principalmente a partir do Modernismo, quando no meio artístico e em outras áreas a mulher passou a ter maior representatividade. É bem interessante pensar neste contraste  após permanecerem por tanto tempo na escuridão pela falta de reconhecimento.
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Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Noêmia Mourão, Djanira, Marina Caram, Mira Schendel, Tomie Ohtake, Georgia Kyriakakis, Anna Maria Maiolino, Carmela Gross, Teresa Nazar, Mary Vieira e Maria Bonomi são alguns dos nomes da seleção dos curadores José Luis Hernández Alfonso e Laura Rodríguez, que priorizaram as obras mais significativas de acordo com as tendências de cada época, tanto na pintura quanto na escultura, gravura, fotografia e vídeoinstalação.
Já no outro salão do museu, está a exposição “Raimundo Cela – Um mestre brasileiro”, que traz uma retrospectiva com 120 obras do artista cearense e faz parte da proposta da curadora Denise Mattar de divulgar artistas brasileiros marginalizados pela história da arte. Até 18 de setembro

História

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A ideia do MAB-FAAP surge em 1938, a partir do testamento de Armando Alvares Penteado. Como não tinha descendentes diretos que pudessem herdar o seu patrimônio, resolveu construir um edifício que abrigaria uma escola de artes e um espaço expositivo para “quadros originais”, em um terreno vizinho ao da sua residência. Assim, em 1947, é criada a Fundação Armando Alvares Penteado, ao mesmo tempo que são dados os primeiros passos para a formação do novo museu.
Inaugurado em agosto de 1961 com a mostra “Barroco no Brasil”, o Museu de Arte Brasileira foi concebido para abrigar os trabalhos de artistas brasileiros ou radicados no país. Hoje, conta com mais de 2.600 obras de autores como Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Amílcar de Castro, Flávio de Carvalho, Iberê Camargo, Lygia Clark, Manabu Mabe, Tomie Ohtake e Bob Wolfenson, sendo a maioria datada de 1960 a 1980.
Já no início deste século, em 2004, foi aberto o MAB-Centro, espaço localizado em um edifício projetado por Ramos de Azevedo na década de 1920 e tombado em 1992. Por ali são realizadas exposições e onde está a Residência Artística FAAP, voltada a artistas nacionais e estrangeiros das artes plásticas, arquitetura e comunicação.
Martha Loutsch Garimpeiros -Estudo para painel_
Programação de aniversário (agosto)
Comemorando os seus 55 anos agora em agosto, o MAB oferece atividades gratuitas especiais ao longo do mês. Confira a programação a seguir.
Conversa com a Artista: Encontro, às segundas-feiras, entre o público e as artistas que estão em cartaz na exposição “Elas – Mulheres Artistas no Acervo do MAB”:
22/8 (segunda-feira), às 14h30: Maria Tereza Louro – artista plástica, desenhista, pintora e professora.
29/8 (segunda-feira), às 14h: Jac Leirner – artista multimídia
Oficinas
Visitas temáticas: Os educadores propõem ao visitante refletir sobre as obras a partir de temáticas específicas. É realizada aos finais de semana, sempre às 14h.
20/08 (sábado), às 14h: Por que uma exposição só com Mulheres Artistas? – A visita tem como objetivo refletir sobre o processo de criação nas artes visuais e sua independência do fator gênero.
21/08 (domingo), às 14h: Tradição e Modernidade: impasses políticos e éticos do litoral cearense – Utilizando as obras do artista Raimundo Cela, as imagens do cineasta Orson Welles e do fotógrafo Chico Albuquerque, o público será convidado a refletir sobre a situação social e a cultura popular tradicional da população litorânea cearense no passado e no presente.
21/08 (domingo), às 14h: Mulheres e Artes Visuais no Brasil: silêncios e descontinuidades – A visita propõe investigar a presença e a ausência das mulheres artistas nos cânones da História da Arte Brasileira, destacando o papel das mulheres enquanto criadoras de arte.
27/08 (sábado), às 14h: Jangadeiros ao mar: jornadas de luta – A visita pretende, num paralelo, recontar a história do Raid (evento) da Jangada de São Pedro por meio das pinturas de Raimundo Cela e da refilmagem de Quatro Homens em uma jangada, de Orson Welles, acrescentando outras viagens realizadas pelo litoral em busca de direitos dos pescadores.
28/08 (domingo), às 14h: Academicismo e Modernismo no mesmo tempo histórico – A partir da análise do trabalho de Raimundo Cela e das obras de artistas modernistas presentes na exposição “Elas: mulheres artistas no acervo do MAB”, a visita tem como proposta a reflexão sobre a produção artística do início do século XX.
MAB Professor: Visita direcionada a professores, cujo objetivo é ser um espaço de reflexão sobre as interseções entre o trabalho educativo realizado na sala de aula e no museu. Grupo com no mínimo cinco participantes podem agendar o serviço, pelo e-mai lmuseu.educativo@faap.br ou pelo telefone (11) 3662-7200.

Exposição “Elas – Mulheres Artistas no acervo do MAB”
Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
Até 18/12 – De segunda a sexta, das 10h às 18h (fechado às terças); sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h.
Entrada gratuita.
Tel.: (11) 3662 7198

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