Cadê o chá que estava aqui? – Uma conversa com Baixo Ribeiro

O que diabos aconteceu com o chá que deu nome ao nosso lindo Viaduto, no Centro? Essa é a reflexão de um papo que tivemos com o Baixo Ribeiro, uma das maiores referências sobre arte urbana em São Paulo. Além de ser um dos fundadores da Choque Cultural, está sempre encabeçando uma série de projetos incríveis em São Paulo. Ele vai ser curador artístico do evento no próximo domingo no centro Fusão Chá com Limão, da Leão Fuze, que falamos aqui, e aproveitamos para ter uma conversa deliciosa sobre o papel da arte no ativismo, ocupação de espaços públicos, identidade e colaboração entre as pessoas.

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O Baixo está envolvido em um instituto cujo objetivo é desenvolver tecnologias sociais, que envolvam a arte para melhoria do ambiente, da educação, e dêem foco a assuntos relevantes para a sociedade. Não que a arte necessariamente não possa ser só bonita, “mas realmente estamos em um momento no qual o mundo está precisando que a gente cuide dele, então é muito bom quando a arte consegue extrapolar e contribuir para as urgências da nossa geração. Não adianta empurrar com a barriga” – diz Baixo.

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Foto Noocity

É um pouco dessa filosofia que ele trará no evento no próximo domingo, que como lança o sabor chá verde com limão da Leão Fuze – nada mais apropriado que uma oficina de plantação de chás, que Baixo traz em conjunto com a Noocity.  O Viaduto que leva o nome da famosa bebida ficava bem em cima da chácara onde o Barão de Tatuí  cultivava chá: ele quer resgatar, ao menos simbolicamente, a relação que tínhamos com a terra no centro, e com o potencial dela de nos alimentar.

Afinal, uma das maiores questões que temos é a desconexão com o alimento – e a arte ajuda a trazer o assunto à tona, dar importância, relevância, e aproximação. Hoje o alimento é tratado somente como comércio, e Baixo quer levar à tona a questão do cuidado – de criar, de defender a planta, até consumi-la. Nas palavras dele: “A criança hoje acha que a comida nasce ali no supermercado… eu lembro quando minha mãe comprava a galinha para matar em casa – isso muda sua relação de respeito com o alimento”.

Ele já fez uma ação parecida no seu incipiente projeto Artes e Hortas – eles estão montando em áreas específicas da cidade um projeto que é, literalmente, metade arte, metade horta. Um exemplo já funciona ali entre as ruas Simpatia e Aspicuelta, lugar nobre de SP,  onde funcionava um… vamos dizer assim… “mictório público informal”. Junto com o Alê Jordão, fizeram esculturas com o material de muretas quebradas nas quais você pode sentar. Ao lado, uma horta coletiva, para ser usada pela dona de casa que mora por lá, o casal de namorados que passeia pela tarde, ou mesmo para um encontro com os amigos antes da balada (e até carregar seu celular em um USB escondido dentro de uma casinha). No espaço haverá vídeo, cinema, poesias, e a ideia de ser um ponto de encontro de intervenções, junto com um hortelão que trabalhará sempre em conjunto.  No evento, ele também será um ponto de intervenção, refletindo sobre a história do chá na cidade e resgatando a origem.

Circuito Fora do eixoCircuito Fora do eixo

Com a mesma temática, ele levará os artistas Mathias, que fará silk com o Anhangabaú de antigamente, e o  Magoshi, fazendo na hora obras em estêncil junto com o público: que tal fazer sua própria poesia em lambe-lambe? A ideia da oficina também é resgatar a cultura dos artistas de poesia, andarilhos, que saiam colando pelo caminho deles suas reflexões, até chegar ao festival ou show que participavam. “É uma experiência de arte completamente diferente do que um museu, principalmente porque há o elemento da surpresa. Você não espera ser guiado, mas sim pode ser inspirado, sem o controle do curador. Você não precisa fazer de conta que precisa parecer inteligente entendendo aquela porra toda”- diz.

Foto Flickr r2hox
Foto Flickr r2hox

Para o Baixo, a ocupação do espaço urbano é a antítese da cultura do medo que vivemos: os muros altos, os seguranças nas guaritas, os carros com vidro fumê, todos eles nos dizem que precisamos nos distanciar uns dos outros. Mas quando a arte se torna presente nos viadutos, nos ônibus, as pessoas se sensibilizam e se encontram em um local de troca, de conversa, de harmonia. “Sim, a rua tem que ser muito mais linda e incrível de se andar do que um shopping”.

E é um pouco dessa experiência que ele pretende trazer no evento no centro no próximo domingo no centro. Nós ficamos morrendo de vontade de fazer um lambe-lambe e plantar chá e, claro, experimentar o chá verde com limão – e você, qual seu programa?

Leão Fuze apresenta Chá Verde com Limão

Domingo,  17/07
Das 11h às 18h
Vale do Anhangabaú 

** Esse post faz  parte de uma parceria entre a Leão  Fuze e SP24hrs.

Foto destaque:  Flickr Diego Torres Silvestre

3 thoughts on “Cadê o chá que estava aqui? – Uma conversa com Baixo Ribeiro

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