São Paulo Curiosa: Os túneis subterrâneos da cidade

Rola muito mais coisa no subterrâneo de São Paulo do que metrôs e carros. A cidade tem uma porção de túneis, construídos a partir do começo do século e com até 15 metros de profundidade abaixo do nível da rua. A grande maioria é fechada, mas muitos ainda são usados, seja para manutenção de obras, transporte de cadáveres ou como museu.

Theatro Municipal

Foto por Eli Kazuyuki Hayasaka
Foto por Eli Kazuyuki Hayasaka

Os túneis do Theatro Municipal serviam para ventilar a sala de concerto, bem como para a fuga de astros do assédio dos fãs mais calorosos. Um deles ligava o teatro a Praça Ramos de Azevedo, de onde, aliás, dá para ver a entrada. Outro ligava ao antigo Hotel Esplanada, onde atualmente é a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O curioso sobre esse último, porém, é que só se sabe onde está uma saída do túnel, a que fica no subsolo da Secretaria.

Hoje, os corredores que não estão fechados são usados para trânsito de funcionários ou abrigando dutos de ar-condicionado. Eles ficam pelo menos 2 metros abaixo da superfície. A Sala dos Arcos, que também é subterrânea, vai abrigar futuramente um bar com música.

Túnel da Rota

Este é o único túnel da cidade que é aberto ao público. Grande parte dele já não existe mais porque foi aterrado para a construção de metrô. Hoje, com cerca de 100 metros, abriga um memorial, com fotos e objetos antigos do batalhão. Fica localizado na avenida Tiradentes, no quartel da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, e servia para ligar a outros quartéis e à penitenciária que existia na mesma avenida. Vale lembrar que ele também foi usado para a locomoção de soldados na Revolução de 1924 e como cárcere de presos políticos na ditadura militar.

Estações abandonadas

Estação Sumaré - Foto por Daniel Afanador
Estação Sumaré – Foto por Daniel Afanador

Algumas estações de metrô tiveram sua construção iniciada, mas por algum motivo foram canceladas. Os túneis de toda forma continuam por ali e servem, normalmente, para ajudar na manutenção do transporte. Das conhecidas, temos dois trilhos que saem da Estação Paraíso – originalmente iriam sentido Moema – e toda uma estrutura embaixo da estação Pedro II, que iria abrigar uma linha de trem que acabou não existindo.

Hospital das Clínicas

A 3 metros e meio da superfície, encontramos um pequeno túnel de 90 metros que vai do hospital até o Serviço de Verificação de Óbitos da Capital. Como todo mundo pode adivinhar, ele serve para o transporte de  corpos – são cerca de 12 por dia, feito por dois auxiliares de enfermagem. O caminho também foi essencial para manter a privacidade da família de famosos, como Raul Seixas e Elis Regina.

Túneis de canalização na Francisco Matarazzo

São as estruturas mais profundas na cidade, ficando a cerca de 15 metros abaixo do nível da rua. Foram construídos para evitar alagamentos e dar maior vazão a água da chuva no cruzamento da Avenida Pompeia com a Francisco Matarazzo, que sofreu por muitos anos com esse problema. Nem precisamos dizer que o acesso ali é super perigoso, né?

* Foto de capa: Linda Aslund

Dani Valentin

Campineira que adotou São Paulo como cidade do coração. Botequeira e vegetariana, ela ama histórias curiosas e obscuras.

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